Entre 18 e 23 de outubro de 2026, o Senai Paraná promoveu a Missão STI/MIT, levando representantes de empresas e instituições ligadas à indústria paranaense a Massachusetts, nos Estados Unidos. A agenda aproximou os executivos de pesquisas, tecnologias e modelos de negócios que podem contribuir para enfrentar desafios relacionados à produtividade, à eficiência operacional e à competitividade industrial.
Participaram da iniciativa representantes da A Yoshii, Brose, C.Vale, CNH, Copacol, Faurecia/FORVIA, Grupo Boticário, Klabin, Lightera, Petrobrás, Renault, Sanepar, Volvo, Senai e Consulado-Geral dos EUA.
Organizada pelo Senai Tecnologia e Inovação (STI), a missão incluiu atividades em cinco organizações: o Industrial Liaison Program (ILP), do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT); a empresa de tecnologia industrial Tulip; a desenvolvedora de robôs Boston Dynamics; a incubadora de tecnologias climáticas Greentown Labs; e o fundo de investimento The Engine Ventures. Os encontros abordaram inteligência artificial, automação, transformação digital, geopolítica e transição energética, com foco nas mudanças que essas áreas provocam nos negócios e nas operações industriais.
Da pesquisa à aplicação industrial
Entre os dias 19 e 21 de outubro, os executivos participaram de atividades do Industrial Liaison Program (ILP), iniciativa do MIT que conecta empresas a pesquisadores, laboratórios e especialistas da instituição. As discussões trataram de tendências tecnológicas e transformações no cenário econômico e internacional, permitindo analisar possíveis impactos sobre as estratégias das empresas.
Um dos temas foi a aplicação da inteligência artificial nas organizações. Para Murilo Matta, presidente da Brose, o contato com especialistas trouxe reflexões sobre como utilizar a tecnologia para melhorar resultados sem perder de vista o papel das pessoas.
“A inovação vai além do retorno sobre o investimento: está também relacionada ao impacto que gera. As discussões sobre inteligência artificial e indicadores de desempenho mostraram como essas ferramentas podem apoiar a tomada de decisão e ajudar as empresas a encontrar soluções para seus problemas”, afirma.
A programação também apresentou aplicações práticas de digitalização industrial. Na Tulip, empresa de tecnologia sediada em Somerville e originada no ecossistema do MIT, o grupo conheceu uma plataforma que permite criar aplicativos sem programação, modelo conhecido como no-code. A ferramenta pode ser utilizada para digitalizar instruções de trabalho, controle de qualidade, rastreamento da produção e gestão de estoques.
Ao registrar informações do chão de fábrica em sistemas digitais, as empresas podem padronizar procedimentos, acompanhar operações e identificar desvios com mais agilidade. A tecnologia, portanto, oferece recursos para transformar dados operacionais em informações úteis à gestão da produção.
Robótica e transição energética ampliam as possibilidades
Além da digitalização, a missão apresentou soluções voltadas à automação de atividades industriais e logísticas. Na Boston Dynamics, empresa integrante do grupo Hyundai, os participantes conheceram tecnologias desenvolvidas para diferentes tipos de operação.
Entre elas estão o Spot, robô quadrúpede utilizado em inspeções; o Stretch, projetado para movimentar caixas em operações logísticas; e o Atlas, robô humanoide desenvolvido para executar movimentos e tarefas complexas. Conforme a aplicação, essas tecnologias podem ampliar a capacidade de inspeção, apoiar atividades repetitivas e reduzir a exposição de trabalhadores a ambientes de risco.
A agenda seguiu para a Greentown Labs, incubadora de startups de tecnologia climática sediada em Somerville. O espaço oferece infraestrutura para construção e teste de protótipos e conecta empresas emergentes a indústrias, investidores e parceiros. As soluções desenvolvidas nesse ambiente buscam responder a desafios relacionados à energia limpa e à sustentabilidade, incluindo oportunidades de eficiência energética e redução de emissões.
Para Andrei Kuhnen da Silva, gerente-geral de Engenharia da Renault, conhecer esses ambientes permite compreender como tecnologias e modelos de empreendedorismo podem gerar alternativas para o setor industrial.
“A imersão tem sido enriquecedora pelas discussões sobre transformação digital, inteligência artificial e transição energética. Conhecer empresas como a Boston Dynamics e ambientes como a Greentown Labs amplia nossa visão sobre tecnologias de ponta e oportunidades de inovação que podemos levar para dentro das empresas”, destaca.
A transição entre pesquisa e mercado também esteve presente na visita à The Engine Ventures, fundo criado pelo MIT para apoiar empresas que desenvolvem tecnologias científicas e de engenharia de alta complexidade, conhecidas como tough tech. Essas soluções exigem pesquisa avançada, infraestrutura especializada e investimentos de longo prazo até alcançar escala comercial.
O portfólio de áreas apoiadas inclui fusão nuclear, computação quântica, tecnologias climáticas e biotecnologia. Além do financiamento, o modelo combina acesso a laboratórios e redes de especialistas e empreendedores para ajudar a transformar descobertas científicas em produtos, empresas e novos segmentos industriais.
Aprendizados voltados à competitividade industrial
Ao reunir discussões acadêmicas, demonstrações tecnológicas e contato com organizações que apoiam o desenvolvimento de novos negócios, a missão permitiu aos executivos observar diferentes caminhos para incorporar inovação às estratégias empresariais. Os aprendizados abrangem desde a escolha de aplicações de inteligência artificial até o desenvolvimento de soluções de automação, eficiência energética e novos modelos de negócio.
A experiência também favoreceu a troca de conhecimentos entre as empresas participantes e o contato com pesquisadores, empreendedores e especialistas do ecossistema de inovação de Massachusetts. Essas conexões podem contribuir para identificar oportunidades de cooperação e avaliar tecnologias de acordo com as necessidades de cada operação.
Para o Senai Paraná, a aproximação entre indústria e ambientes internacionais de pesquisa e desenvolvimento faz parte da estratégia de conectar desafios empresariais a conhecimento especializado e infraestrutura tecnológica. A partir das referências conhecidas durante a missão, as empresas podem avaliar possibilidades de aplicação no contexto paranaense, considerando seus processos produtivos, objetivos de negócio e demandas de competitividade.
“Estar próximo de centros de pesquisa, empresas de tecnologia e ambientes que transformam ciência em negócios permite compreender como as mudanças tecnológicas estão acontecendo e quais oportunidades elas abrem para a indústria. Nosso objetivo é aproximar esse conhecimento da realidade das empresas paranaenses, ajudando a identificar soluções que possam melhorar a produtividade, tornar os processos mais eficientes e fortalecer a competitividade do setor industrial”, afirma Fabiano Scheer Hainosz, gerente sênior de Tecnologia e Inovação do Senai Paraná

