Celebrado oficialmente em 5 de setembro, o Dia da Amazônia ganha uma extensão especial no Paraná em 17 de outubro. A data será lembrada no Espaço Namata, em São José dos Pinhais (PR), em um encontro que marca também os 10 anos do espaço e propõe aproximar dois territórios separados por milhares de quilômetros, mas conectados pela natureza e pela gastronomia: o Sul do Brasil e a Amazônia.
Realizado em meio à natureza e no Domo Geodésico, o encontro combinará conversas sobre o presente e o futuro da Amazônia, experiências de conexão com o ambiente e um almoço amazônico especialmente desenvolvido para a ocasião.
A gastronomia será uma das principais formas de criar essa aproximação. Mais do que reproduzir pratos típicos, o almoço foi pensado para despertar a curiosidade sobre os sabores, as histórias, os territórios e as pessoas que existem por trás dos alimentos amazônicos. A proposta parte de um princípio que também orienta o encontro: é difícil valorizar aquilo que não se conhece. Experimentar um ingrediente, descobrir sua origem e conhecer quem o produz pode ser o primeiro passo para compreender melhor a Amazônia e as relações entre alimentação, cultura, floresta, clima e economia.
“Queremos aproximar a Amazônia de quem está aqui no Sul a partir do conhecimento e da experiência. Quando você prova um ingrediente e entende de onde ele veio, quem o produziu e o que existe por trás daquele alimento, cria uma relação diferente com aquele território. Acreditamos que conhecer é um primeiro passo para valorizar”, afirma Fernando Allegretti, que é sócio fundador do Espaço Namata, consultor em sustentabilidade, profundo conhecedor da região amazônica.
Esta será a primeira edição de uma iniciativa concebida para acontecer anualmente, reunindo empresas, instituições, organizações da sociedade civil e pessoas em torno de uma agenda de conhecimento, diálogo, cooperação e desenvolvimento sustentável. O Dia da Amazônia é uma realização conjunta do Espaço Namata, Instituto de Estudos Amazônicos (IEA), Imazon, Fundación Avina, Arte Sã e Hospital Pequeno Príncipe, que também é patrocinador do evento. O evento tem como tema “Amazônia Linda e Próspera: como fazer desse futuro uma realidade”. O encontro parte de uma visão positiva sobre o futuro da Amazônia: uma região capaz de conservar sua floresta, gerar prosperidade, valorizar suas populações e construir uma nova economia baseada na sociobiodiversidade.
“Mais do que discutir os desafios da região, a proposta é apresentar e debater soluções, oportunidades e caminhos capazes de transformar esse futuro em realidade. O Dia da Amazônia pretende estabelecer uma agenda permanente de aproximação entre o Sul do Brasil e a Amazônia, conectando pessoas e organizações comprometidas com uma Amazônia sustentável e próspera”, conta o idealizador Fernando Allegretti, fundador do Espaço Namata, juntamente com sua esposa Liliane Robacher, arquiteta que pensou em cada detalhe do Espaço e foi a responsável pelo projeto do Domo Geodésico que utiliza madeira de reflorestamento e é um dos grandes atrativos do empreendimento.
No encontro, os participantes poderão conhecer a história de Fernando e Liliane, que deixaram Nova York para viver na Amazônia e ajudar a construir novos caminhos para a sustentabilidade, criando pontes entre comunidades e empresas, entre tecnologia e conhecimento tradicional. Hoje, continuam esse pioneirismo no Sul do Brasil, aproximando pessoas, natureza e novas formas de pensar o desenvolvimento sustentável.
O encontro é aberto a empresários, lideranças, profissionais, organizações e pessoas interessadas em conhecer, dialogar e contribuir para uma Amazônia sustentável e próspera.

Do sabor à conexão
A gastronomia será um dos pontos centrais da programação. O almoço amazônico foi pensado como uma forma de percorrer diferentes territórios da região por meio de seus ingredientes, modos de produção e tradições culinárias. Mais do que apresentar pratos típicos, a proposta é fazer com que cada sabor desperte uma pergunta sobre sua origem, as pessoas envolvidas em sua produção e a relação daquele alimento com o lugar de onde vem.
Entre os destaques do cardápio estará o pirarucu selvagem manejado pelas comunidades ribeirinhas e fornecido pela ASPROC, Associação dos Produtores Rurais de Carauari, o tambaqui na brasa, o tucupi preto, produzido pela comunidade indígena Wapixana, de Roraima, e o tradicional pato no tucupi, um dos pratos mais representativos da culinária paraense. O menu também contempla preparos vegetarianos e ingredientes como castanhas, banana-da-terra, coco, dendê, cacau e cupuaçu.
Ao identificar a procedência desses produtos, o almoço ajuda a mostrar que por trás de um ingrediente existe uma cadeia de pessoas, saberes e territórios. Conhecer de onde vem o pirarucu ou como o tucupi é produzido transforma a experiência à mesa e ajuda a compreender também as relações entre alimentação, cultura, floresta e economia.
A proposta é que essa aproximação possa ir além do encontro. Dar visibilidade aos produtos da sociobiodiversidade e a quem os produz também contribui para ampliar o conhecimento sobre essas cadeias e criar possibilidades de consumo e relações comerciais. No Dia da Amazônia, o caminho começa pelo sabor: despertar a curiosidade, transformar essa curiosidade em conhecimento e, a partir dele, criar novas conexões entre o Sul do Brasil e a Amazônia.

Confira o cardápio que será servido no evento:
Entradinhas | Serviço volante
- Dadinho de tapioca assado com geleia de cupuaçu
- Roll de banana-da-terra com pirarucu selvagem defumado
- Vol-au-vent com tomate holandês confitado, queijo meia-cura Possamai e tucupi preto Wapixana
- Croqueta de cogumelos com aioli de tucupi
Ilha Amazônica | Self-service
- Salada de folhas nobres com castanhas-do-brasil, queijo coalho e pesto de jambu
- Mandioca cozida na manteiga
- Mandioca frita
- Farinha de mandioca de Uarini e farinha d’água
- Caldeirada amazônica
Prato principal | Servido à mesa
Escolha uma opção
- Pato no tucupi com arroz branco
- Moqueca de banana-da-terra e palmito com arroz de coco – opção vegana
- Banda de tambaqui selvagem assada na parrilla com arroz amazônico ao tucupi
Sobremesa
- Torta de cacau e coco com creme de cupuaçu e crumble de castanha
O menu foi concebido em conjunto pelos proprietários do Namata e o cozinheiro líder do espaço Marco Antonio Barros, que é manauara, e teve coautoria de Roberto Smeraldi, chef de cozinha, jornalista e escritor brasileiro e fundador da empresa de alimentos artesanais ArteSã.
Programação
O dia será repleto de atividades, iniciando às 10h, com atividades externas e integração com a natureza: pilates, yoga, trilha e visitação ao Espaço Namata. Ao meio-dia, os participantes conhecerão a proposta do espaço, com entradinhas amazônicas e welcome bar. Em seguida, será servido o almoço amazônico.
Às 15h, terá início o Encontro Amazônia Linda e Próspera, reunindo alguns dos nomes de referência no debate e na atuação socioambiental na Amazônia, com trajetórias reconhecidas em áreas como conservação, desenvolvimento sustentável, pesquisa e valorização das comunidades e dos territórios amazônicos.
A programação começa com uma palestra de Beto Veríssimo, com duração de 40 minutos, seguida por uma roda de conversa de 50 minutos. Com mediação de Fernando Allegretti, o encontro terá a participação de Beto Veríssimo, Mary Allegretti, Juliana Strobel, José Álvaro Carneiro, Liliane Robacher e Luiz Villares, reunindo diferentes experiências e perspectivas sobre os caminhos para uma Amazônia que concilie conservação, desenvolvimento e geração de oportunidades.
Beto Veríssimo é cofundador do Imazon, diretor do Centro de Empreendedorismo da Amazônia e pesquisador visitante da Universidade de Princeton (EUA). Sua trajetória é marcada pela atuação em pesquisa, empreendedorismo e desenvolvimento sustentável na Amazônia. E, encerrando o dia, às 16h30, será o lançamento do livro Ecos do Antropoceno, com o autor Luiz Villares.
Literatura – Ecos do Antropoceno é o resultado de quase três décadas de trabalhos, aprendizados, estudos e reflexões do ambientalista Luiz Villares. Ele reuniu sua longa experiência que começa com a militância pela defesa do Parque Estadual de Ilhabela, passa pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente de São Paulo, e chega à FAS (Fundação Amazônia Sustentável), a maior organização sem fins lucrativos no Brasil pela conservação da Amazônia, da qual foi diretor financeiro por 16 anos.
Além de trazer um panorama atualizado (que inclui os resultados da recente COP30, realizada em Belém, em novembro de 2025) das grandes questões ambientais contemporâneas, Ecos do Antropoceno analista os fenômenos do aquecimento global, das catástrofes climáticas, do desmatamento e destruição da natureza, entre outros, pelo diapasão central da macroeconomia: sem transformações profundas nos modelos de crescimento econômico e na “financeirização” dominante na economia global, a transição imprescindível para um mundo sustentável não se realizará.
O livro, pela Editora Casa Matinas, tem 154 páginas e valor de capa: R$ 64,90 (brochura) / R$ 84,90 (capa dura).
O encontro pretende estabelecer as bases para uma iniciativa de longo prazo, fortalecendo a conexão entre o Sul do Brasil e a Amazônia e estimulando novas relações e parcerias entre empresas, instituições e organizações; a valorização e a difusão da gastronomia e dos ingredientes amazônicos; a valorização da sociobiodiversidade, dos produtos da floresta e das soluções de desenvolvimento sustentável; e a formação de uma comunidade permanente de pessoas e organizações interessadas em contribuir para o futuro da Amazônia. “Celebrar a Amazônia é fortalecer essa conexão, estimular parcerias e investir no futuro das próximas gerações”, complementa Allegretti.
Para participar do Dia da Amazônia no Espaço Namata, é preciso reservar pelo WhatsApp (41) 99236-9257. O valor promocional para compra antecipada por pessoa é de R$ 125, incluindo as atividades externas e o almoço – bebidas são cobradas à parte.
Espaço Namata – Um espaço desenhado entre as árvores
No coração de São José dos Pinhais, o Namata nasceu há mais de dez anos com uma premissa que ajudou a definir sua arquitetura: nenhuma árvore seria derrubada para que o projeto saísse do papel. O compromisso havia sido assumido pela arquiteta e proprietária do espaço com o pai e acabou orientando cada escolha feita no terreno.
Em vez de adaptar a natureza à construção, foi a arquitetura que precisou encontrar seu lugar entre as árvores. Um dos resultados mais marcantes dessa decisão é o Domo Geodésico, projetado especialmente para o ponto onde está instalado e formado por uma estrutura de triângulos interligados. Acima dele, quase como uma continuação do desenho arquitetônico, três araucárias centenárias formam outro triângulo.
A geometria acabou ganhando um significado particular por conta da construção do Domo. Presente em diferentes culturas e tradições como representação de equilíbrio, estabilidade e conexão, o triângulo se repete na construção do Domo sem que tenha sido necessário interferir no que já estava ali. Mais de uma década depois, a preservação continua fazendo parte da experiência do espaço. Entre araucárias e outras espécies nativas, a área recebe visitantes que não estão na lista de convidados dos eventos: gralhas, jacus, pica-paus e tucanos dividem o cenário com saguis, esquilos e outros animais que eventualmente aparecem por ali. Criado para receber eventos sociais e corporativos, o Namata combina arquitetura, gastronomia e contato com o ambiente natural. Mas talvez seu principal diferencial esteja justamente naquilo que decidiu preservar desde o início: o espaço foi construído para caber na natureza, e não o contrário.
Serviço:
Rua Marcos Foggiatto, 121 – Aristocrata, São José dos Pinhais (PR)
Instagram: @espaconamata
