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Uma a cada 4 pessoas com câncer de pulmão não é fumante

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Por muito tempo, o cigarro foi visto como o único vilão quando o assunto era câncer de pulmão. Mas a realidade mudou e o risco, hoje, vai muito além do fumo. O número de diagnósticos em pessoas que nunca fumaram cresce ano após ano. Mulheres, inclusive, representam uma parcela cada vez mais expressiva dos novos casos. E a pergunta que fica é: por que isso está acontecendo?

De acordo com o oncologista William William, líder nacional da especialidade de tumores torácicos da Oncoclínicas, um dos grandes desafios atuais é romper com a ideia de que o câncer de pulmão só acomete fumantes. “Temos observado uma mudança significativa no perfil dos pacientes. Casos entre pessoas que nunca fumaram têm aumentado, especialmente entre mulheres. E essa realidade exige uma resposta mais ampla da sociedade, da medicina e das políticas públicas de rastreamento”, afirma.

Casos como o de câncer de pulmão em não fumantes não são mais exceções. Eles têm provocado uma virada no debate sobre a doença. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), 95% da população mundial respira ar poluído todos os dias. A exposição crônica a essa poluição, somada a fatores genéticos, ambientais e hormonais, tem sido associada a um número crescente de diagnósticos de câncer de pulmão em pessoas sem histórico de tabagismo.

Uma doença silenciosa, que não escolhe estilo de vida

Estima-se que entre 10% e 25% dos diagnósticos de câncer de pulmão no mundo ocorram em pessoas que nunca fumaram. Em alguns grupos específicos, esse número é ainda maior: mulheres asiáticas e asiático-americanas, por exemplo, chegam a representar até 50% dos casos em não fumantes, segundo estudos recentes.

No Brasil, o cenário também preocupa. O Instituto Nacional de Câncer (INCA) projeta 32.560 novos casos em 2025, o que pode significar cerca de 6 mil diagnósticos entre pessoas que jamais fumaram. A principal causa de morte por tumores no mundo segue sendo o câncer de pulmão.

Apesar da gravidade, a doença muitas vezes é descoberta tardiamente. “Os sintomas são semelhantes em fumantes e não fumantes, como tosse persistente, falta de ar, dor torácica ou perda de peso, e geralmente surgem quando o tumor já está em estágio avançado”, explica o oncologista. Para quem nunca teve contato com cigarro, o tempo até a suspeita médica costuma ser ainda maior. “Muitos pacientes acreditam que não estão em risco e, por isso, demoram a buscar ajuda”.

A ciência por trás dos casos em não fumantes

Pesquisadores internacionais vêm investigando por que o câncer de pulmão afeta pessoas aparentemente fora do grupo de risco. O estudo “Sherlock Lung”, recente publicado na Nature, analisou 871 pacientes não fumantes e descobriu que algumas mutações genéticas relacionadas à doença eram mais comuns em regiões altamente poluídas, como Hong Kong e Taiwan. A poluição, além de danificar o DNA, parece acelerar a divisão celular, aumentando a probabilidade de “erros” que levam ao câncer.

Outros estudos relacionam a doença ao histórico familiar, fumo passivo, exposição ao radônio, vapores de óleo de cozinha e até medicamentos tradicionais com substâncias tóxicas, como o ácido aristolóquico. Segundo William, a genética compartilhada entre membros da mesma família também pode ser parte da explicação: “Em pacientes com histórico familiar de câncer de pulmão, o risco aumenta mesmo sem exposição ao tabaco”.

Além disso, tumores em não fumantes costumam apresentar mutações chamadas “motoras”, que funcionam como interruptores capazes de impulsionar o crescimento de células anormais. Os pesquisadores estimam que essa diferença no tipo de mutação pode ser umas das razões pelas quais o câncer de pulmão em pessoas com menos de 50 anos tem sido mais prevalente entre não fumantes do que fumantes.

Outro desafio se refere ao diagnóstico precoce da doença, em especial por conta da ausência de protocolos de rastreamento voltados à não fumantes. No Brasil a recomendação para rastreio ativo do câncer de pulmão é a tomografia de baixa dose, mas ela é recomendada apenas para pessoas entre 50 e 80 anos com histórico de tabagismo intenso (o equivalente a pelo menos um maço por dia durante 20 anos). No entanto, um estudo conduzido em Taiwan, realizado com pacientes entre 55 e 75 anos, demonstrou que o exame pode identificar câncer de pulmão em 2,6% dos indivíduos que nunca fumaram, mas possuem histórico familiar da doença — um percentual considerado eficaz o suficiente para que o país adotasse o rastreamento rotineiro também para esse grupo.

Nos Estados Unidos, cientistas conduzem pesquisas semelhantes com mulheres de ascendência asiática entre 40 e 74 anos, também sem histórico de tabagismo. Resultados preliminares indicam taxas de detecção de câncer invasivo semelhantes às observadas em Taiwan. “Essa mudança no perfil dos pacientes exige uma revisão urgente das diretrizes atuais. A triagem precisa refletir a nova realidade da doença”, defende William William.

Informação salva vidas e combate o estigma

O preconceito também é uma barreira importante. Casos de câncer de pulmão em pessoas jovens e sem histórico de consumo de cigarros fazem com que a jornada até a descoberta efetiva da doença muitas vezes seja mais longa, fazendo com que pacientes cheguem inclusive a receber tratamentos para outras condições de saúde, como ansiedade ou pneumonia, antes do diagnóstico definitivo. 

Para William William, isso precisa ser entendido com clareza. “Não podemos mais tratar o câncer de pulmão como uma doença que se explica apenas pelo cigarro. Estamos lidando com uma condição multifatorial, que atinge pessoas mais jovens, mulheres e indivíduos sem qualquer histórico de tabagismo. Ignorar isso é negar o acesso ao diagnóstico precoce e a tratamentos que podem salvar vidas”, conclui.

Saiba mais em: www.oncoclinicas.com.

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