O Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, inaugura no dia 13 de novembro, às 19h, a exposição “A cor e o lirismo de Alberto Massuda – 100 anos”, em homenagem ao centenário de nascimento do renomado artista surrealista Alberto Massuda (1925–2000). A mostra, com curadoria de Fernando Bini, reúne mais de 90 obras que percorrem diferentes fases da trajetória do pintor, desde sua juventude no Egito até sua consagrada atuação no cenário artístico paranaense.
Massuda, nascido no Cairo, iniciou sua formação artística na Escola de Belas Artes e na Faculdade de Pedagogia Artística da Universidade do Cairo. Participou de importantes movimentos e exposições internacionais, como a Bienal de Veneza (1952) e a Bienal de Alexandria (1955), onde recebeu a Medalha de Bronze. Em 1958, escolheu Curitiba como lar e passou a integrar ativamente o Movimento de Renovação das Artes Visuais, além de fundar o Grupo Um (GUM), ao lado de Érico da Silva, René Bittencourt, Álvaro Borges e Waldemar Roza.
A exposição apresenta um recorte abrangente da obra de Massuda, iniciando com sua produção no Egito, passando pelos primeiros anos no Brasil, sua integração ao movimento artístico curitibano e culminando nos últimos anos de sua carreira. Os visitantes poderão apreciar o lirismo e a força cromática que marcaram sua pintura, sempre permeada por traços poéticos e influências de mestres como Matisse e Chagall.
“Massuda nos deixou um imenso legado. Temos aqui uma retrospectiva que nos permite voar no tempo, guiados pelas cores e traços poéticos do artista”, destaca Juliana Vellozo Almeida Vosnika, diretora-presidente do MON. “A Sala 7, onde a mostra será realizada, se consolida como espaço dedicado ao legado paranaense das artes visuais, promovendo diálogos constantes entre a arte local e o público.”
Vida e obra de Alberto Massuda | 100 anos
O livro apresenta a trajetória do artista paranaense Alberto Massuda (1925–2000), contada por seu filho, Cadri Massuda. A obra foi construída a partir de pesquisas em documentos, jornais, anotações do artista e entrevistas com pessoas que conviveram com ele.
“Tudo começou com a doação de dois painéis gigantes doados à cidade de Curitiba, que foram reproduzidos em cerâmica pelo Adroaldo Lenzi. Ali, começamos a reviver a história do meu pai. E qual a melhor maneira de fazer isso? Uma exposição, no melhor museu de arte moderna da América Latina, o MON. Inscrevemos um projeto, buscamos um curador e participamos da seleção. O curador, professor Bini esteve em Paris e viu obras do meu pai em um museu lá. Nós não sabíamos disso e fomos, aos poucos, recuperando toda a sua história, a qual resultou no livro”, conta Cadri Massuda.
A narrativa reconta sua história familiar, marcada pela origem em uma família de judeus caraítas, sua infância e juventude no Egito, o período de formação artística na Itália e a vinda ao Brasil em busca de novas oportunidades. Em Curitiba, Massuda chegou aos 32 anos, com esposa e o primeiro de três filho e foi acolhido por um ambiente fértil de trocas culturais e integrou-se ao cenário artístico paranaense, recebendo medalha de prata no Salão Paranaense de 1959, logo após sua chegada.
Reconhecido como um dos precursores do surrealismo no Paraná, Massuda desenvolveu uma obra que transita entre o surrealismo e o expressionismo, refletindo inquietações existenciais e filosóficas. O livro traz ainda um olhar íntimo sobre sua vida pessoal e relação com a família, revelando o homem que viveu intensamente pela arte e pela reflexão.
A publicação tem 328 páginas recheadas por mais de 120 obras — entre pinturas e desenhos — além de poemas e pensamentos filosóficos, compondo um retrato sensível e completo de um artista e pensador que transformou a própria experiência de vida em expressão estética. A edição será vendida exclusivamente na loja do MON.
Serviço
Exposição: A cor e o lirismo de Alberto Massuda – 100 anos
Abertura: 13 de novembro, às 19h
Local: Sala 7 – Museu Oscar Niemeyer (MON)
Mais informações: http://www.museuoscarniemeyer.org.br

