Após 18 anos de falecimento, o premiado escritor Manoel Carlos Karam [1947-2007] tem um novo livro. A obra intitulada “Crônicas de Alhures do Sul” vem recheada com 30 narrativas que relatam fatos do cotidiano de maneira concisa e com bom-humor, que são características do autor.
O livro foi lançado no dia 06/09, às 14h, na Livraria Arte & Letra de Curitiba, durante um bate-papo com o filho do escritor, Bruno Karam, a jornalista da Rádio BandNews FM Lorena Pelanda, Thiago Tizzot, Carla Viccini, Cristiano Nagel e o público. A obra está à venda por R$ 40 na Livraria Arte & Letra. Além disso, serão doados exemplares para escolas públicas, Casas da Leitura e Biblioteca Pública do Paraná.
Ficção e criatividade
Durante os anos de 2006 e 2007, Karam postava semanalmente um texto no Blog do Zé Beto e o apresentava na Rádio BandNews FM Curitiba toda segunda e terça-feira. Os textos se chamavam “Crônicas de Alhures do Sul”; uma cidade fictícia inventada e contada pelo Karam.
O livro homônimo apresenta a visão aguçada do escritor sobre o dia a dia, as pessoas e a cidade que o cerca e reúne dezenas de crônicas. Como característica de sua escrita, é possível observar a identidade fragmentada do indivíduo pós-moderno e o ambiente urbano através de uma narrativa veloz.
Buscando ser um escritor “sem estilo”, sem preocupações em enquadrar suas obras nos gêneros literários estabelecidos, o autor certa vez escreveu que “quando eu tô escrevendo, acabo descobrindo que mais importante que a história que eventualmente eu possa contar, é a maneira de contar esta história”.
‘Ouvir’ o livro
Quem desejar ‘ouvir’ o livro também poderá apreciar os conteúdos, que estão disponíveis em podcasts no YouTube e no Spotify. As gravações – com leituras originais na voz de Karam – foram realizadas a partir do acervo do autor e pesquisas do filho, Bruno Karam.
Essa união de pai e filho resultou numa preciosa viagem íntima e literária pela obra de um dos grandes cronistas brasileiros. Os novos episódios – que mesclam as vozes Bruno e Manoel exploram a sensibilidade, o olhar crítico do autor e curiosidades biográficas – vão ao ar toda segunda e quarta-feira e podem ser ouvidos gratuitamente nas duas plataformas digitais.
Múltiplas ações inéditas
“Esses conteúdos em áudio integram um grande projeto cultural que leva o mesmo nome do livro e contempla muitas novidades sobre Manoel Carlos Karam. O objetivo é que o público conheça, aprecie, leia, ouça e valorize o trabalho do escritor”, explica o produtor, Cristiano Nagel.
Além dos 30 podcasts e do livro, o projeto cultural terá a realização de 5 oficinas de formação voltadas a professores e mediadores, 30 rodas de leitura para jovens e adultos – que vão acontecer nas Casas da Leitura Miguel de Cervantes e Vladimir Kozak, com público agendado de escolas públicas de Curitiba.
“Mais do que uma homenagem, esta é uma proposta de circulação e escuta para que as palavras de Manoel Carlos Karam sigam em movimento entre páginas, vozes e encontros com novos leitores e ouvintes. Queremos valorizar a obra do escritor para além da publicação”, complementa Nagel.
Quem foi Manoel Carlos Karam?
Foi um escritor, jornalista e dramaturgo brasileiro que nasceu em Rio do Sul (SC) em 25 de abril de 1947, viveu em Curitiba desde 1966 e faleceu na capital paranaense em 1º de dezembro de 2007. Escreveu e dirigiu 20 peças de teatro na década de 1970. A partir dos anos 1980, passou a se dedicar aos livros e em 1995 venceu o Prêmio Cruz e Souza de Literatura, com a obra Cebola. Escreveu 14 livros com textos que possibilitem inúmeras leituras, apresentam personagens e enredos inquietantes.
Como jornalista, trabalhou na RPC TV, nos jornais O Estado do Paraná, Tribuna do Paraná e na prefeitura de Curitiba. Deixou crônicas inéditas e outros textos a serem publicados.
No dia 2 de dezembro de 2008, a Casa da Leitura do Parque Barigui, mantida pela prefeitura de Curitiba, foi batizada com o nome do escritor. O espaço abriga a biblioteca particular de Manoel Carlos Karam, composta de mais de três mil volumes, recebe excursões escolares e tem um auditório – com pôsteres das peças escritas por Karam – que serve como local para palestras e rodas de leitura.
Créd.foto-Glória Flugel

