Antes de comprar o primeiro estojo de tintas, a funcionária pública da prefeitura de Ribeirão Preto Adalgisa Medeiros, 54, nunca havia encostado em um pincel. Chegou à aquarela por um workshop, em busca de um momento de silêncio dentro da própria rotina, e ficou pela sensação de reconexão que a prática trouxe. O que era curiosidade virou método: pintar como forma de sair do piloto automático.
“Comecei com um pinguinho de tinta na folha branca do papel, ainda acreditando que era muito difícil, mas aos poucos a minha vida foi sendo impactada a ponto de me desligar da agitação do dia. Hoje até me atrevo em trabalhos mais elaborados”, conta.
A quase 700 quilômetros dali, em Sete Lagoas, Minas Gerais, a história da comerciante Patrícia Pereira Lima, 46, se encontra com a de Adalgisa pelo mesmo motivo.
“Busco a aquarela e as aulas de pintura terapêutica porque me ajudam a lidar com a ansiedade através da meditação plena. A atenção no momento da pintura com aquarela me permite diminuir os pensamentos acelerados que tenho”, explica.
As duas fazem parte de um movimento que não recuou desde o fim da pandemia. O último Panorama da Saúde Mental brasileiro segue apontando ansiedade e esgotamento entre as principais queixas da população adulta, e cresce a procura por práticas de apoio que caibam no dia a dia, sem consultório e sem tela. É nesse espaço que a pintura terapêutica se firmou.
Da crise de ansiedade à sala de aula
O método é ensinado por Marco Freitas, carinhosamente chamado de Markito, professor e especialista em pintura terapêutica à frente da Aquarela Zen. Formado em terapias integrativas, ele é um dos nomes que estruturaram a aquarela terapêutica no Brasil e ensina a prática há mais de seis anos, com mais de 16 mil alunos já formados e uma audiência de mais de 380 mil pessoas somando Instagram, YouTube, TikTok e Pinterest. Vários de seus vídeos sobre o tema ultrapassaram 100 mil, 200 mil e 600 mil visualizações.
O ponto de partida, no entanto, não foi artístico. Oito anos atrás, Markito atravessava o pior período da própria vida, marcado por crises de ansiedade. A aquarela entrou como respiro antes de virar profissão.
“A maioria das pessoas se cobra muito, tanto na vida quanto na arte. Os alunos chegam preocupados em pintar uma obra-prima, e isso gera um peso enorme, um paralelo direto com o que fazemos com tudo na vida. Essencialmente, pintar pode ser leve. Eu ensino a ver as cores fluindo sobre o papel, se misturando com a água, sem medo de borrar, de errar no tom, de sair diferente do esperado. A gente precisa trocar esse medo pela contemplação, pelo acolhimento, pelo prazer do processo, mesmo quando as coisas não saem como esperávamos. Por isso chamo de Aquarela Zen”, explica.
Para ele, a barreira raramente é técnica. “Ninguém chega dizendo que nunca vai conseguir. As pessoas chegam duvidando de si mesmas, o que é diferente. Quando a mão começa a se mover e a pintura fica pronta, existe uma evidência ali que nenhum discurso substitui. Pintar não é dom, é escolha.”
Da grande empresa à sala de casa
O trabalho de Markito passou por ambientes bem distintos dos ateliês tradicionais. Ele já conduziu workshops corporativos para empresas como a Alpargatas, dona da marca Havaianas, ministrou aulas e firmou parcerias com marcas de material de arte como Condor e Faber-Castell, e assinou uma série de ilustrações em aquarela retratando todos os edifícios do Hospital Sírio-Libanês. Em Brasília, mantém workshops presenciais de flores.
A digitalização do ensino ampliou esse alcance. Hoje o método é oferecido pela Escola da Aquarela, comunidade online com aulas ao vivo semanais que reúne alunas de diferentes idades, profissões e regiões do país. Muitas relatam ter carregado por décadas a crença de que arte não era para elas.
Patrícia é uma delas. Conta que teve uma infância de poucos recursos e nunca pôde ter mais do que os lápis de cor pedidos pela escola. “A aquarela era um sonho que realizei somente depois dos 41 anos. Conheci o Markito e ele me incentivou a pintar”, diz.
Apoio, não tratamento
Markito faz questão de delimitar o alcance da prática: nenhum conteúdo dessa natureza deve ser tomado como aconselhamento médico ou psicológico.
“Antes de mais nada, é importante frisar que qualquer sintoma relacionado à saúde mental deve ser comunicado e acompanhado por um profissional da saúde especializado na área. A arte e a prática da atenção plena entram como apoio nesse processo, seja para quem está em tratamento ou para quem apenas sinta necessidade de desacelerar e ter momentos de conexão mais interna.”
Quem quiser experimentar pode participar da aula ao vivo aberta ao público, gratuita, realizada todas as quartas-feiras às 10h.
Sobre a Aquarela Zen
Aquarela Zen é a marca criada por Marco Freitas, o Markito, professor e especialista em pintura terapêutica com formação em Comunicação Social, Design Gráfico e em terapias integrativas. Há mais de seis anos ensinando aquarela como prática de atenção plena, já formou mais de 16 mil alunos e reúne mais de 380 mil pessoas nas redes sociais. Seu principal projeto é a Escola da Aquarela, comunidade online com aulas ao vivo semanais.
Redes e contato
Instagram: https://www.instagram.com/aquarela.zen/
YouTube: https://www.youtube.com/@aquarela_zen
TikTok: https://www.tiktok.com/@aquarela.zen
Pinterest: https://br.pinterest.com/aquarelazen/
Site: https://aquazen.com.br/
créd.foto- Marco Freitas

