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Cachaça de Alambique entra na rota do turismo de experiência no Brasil

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A cachaça de alambique começa a ocupar um lugar mais sofisticado no mapa do turismo brasileiro. Alambiques, fazendas, engenhos históricos, caves de envelhecimento e degustações guiadas vêm aproximando a bebida de uma lógica já conhecida no universo do vinho: origem, terroir, técnica, tempo, território e narrativa produtiva.

O movimento acompanha uma mudança de percepção. Durante décadas, a cachaça foi tratada principalmente como bebida popular. Agora, parte do setor investe em experiência, qualidade sensorial, rastreabilidade, madeiras brasileiras, marcas regionais e visitação. O visitante não chega apenas para provar. Ele quer entender de onde vem a cana, como ocorre a fermentação, por que o alambique de cobre importa, o que significa separar cabeça, coração e cauda na destilação, e como madeira, clima, solo e tempo interferem no copo.


É nesse contexto que a 35ª Expocachaça, realizada de 6 a 8 de agosto de 2026, no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte, ganha relevância para além da feira de negócios. O evento funciona como uma síntese do Brasil produtor de cachaça. Serão cerca de 250 expositores de 18 estados brasileiros, aproximadamente 2 mil marcas de produtos, insumos e equipamentos, público estimado em 25 mil pessoas e previsão de R$30 milhões em movimentação econômica durante e após a feira.


Para quem não consegue percorrer alambiques em Minas, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Bahia, Goiás, Rio Grande do Sul e outros estados produtores, a Expocachaça oferece uma experiência concentrada. Em um único espaço, o visitante pode comparar cachaças brancas, armazenadas e envelhecidas; conhecer diferentes madeiras; conversar com produtores; observar tendências de consumo; descobrir marcas premiadas; entender estilos regionais; e perceber como cada território imprime características próprias à bebida.


A comparação com o vinho ajuda a explicar a virada. Assim como no enoturismo, o valor está menos no ato de beber e mais no repertório construído em torno da bebida. O canavial equivale à origem. A fermentação e a destilação revelam a técnica. O envelhecimento em amburana, bálsamo, jequitibá, carvalho e outras madeiras mostra a influência do tempo. A análise sensorial educa o paladar. A harmonização com doces, queijos, carnes e pratos regionais conecta o destilado à gastronomia.


No turismo de experiência da cachaça, o visitante deixa a posição de consumidor passivo e passa a acompanhar uma cadeia produtiva. Em roteiros estruturados, ele pode ver a cana sendo moída, sentir o aroma do mosto fermentado, observar o funcionamento do alambique, conhecer salas de barris e provar rótulos orientado por produtores ou especialistas. A experiência organiza uma narrativa que une agricultura, família, patrimônio, empreendedorismo rural, gastronomia e identidade brasileira.

Os dados ajudam a dimensionar o potencial dessa agenda. O Anuário da Cachaça 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária, registra 1.266 estabelecimentos elaboradores de cachaça no Brasil, 7.223 produtos registrados e produção declarada de 292,46 milhões de litros. Minas Gerais lidera o ranking nacional, com 501 estabelecimentos, seguida por São Paulo, com 179, e Espírito Santo, com 81. O mesmo anuário aponta que há estabelecimentos produtores em 735 municípios brasileiros, dado que evidencia a capilaridade territorial da bebida.

Essa dispersão cria uma oportunidade turística ainda subexplorada. Em Minas, alambiques próximos a Belo Horizonte permitem experiências de curta distância, combinando produção artesanal, história local e degustação. Em São Paulo, rotas estruturadas aproximam propriedades rurais, alambiques e experiências urbanas. No Espírito Santo, a presença de cachaçarias em diferentes municípios reforça a possibilidade de roteiros de turismo rural e cultural. Em Paraty, no Rio de Janeiro, a relação entre cachaça, patrimônio histórico e visitação já faz parte da identidade turística local. Na Bahia, em Goiás e no Rio Grande do Sul, fazendas, caves e lojas de fábrica ampliam o repertório da bebida como produto de território.

A Expocachaça entra nessa equação como uma porta de entrada. Em vez de substituir as rotas, ela ajuda o visitante a descobri-las. A feira permite uma primeira leitura do mapa nacional da cachaça, com a vantagem de reunir produtores, compradores, especialistas, marcas, lançamentos, degustações e conversas de mercado em um mesmo ambiente. Para o público final, é uma experiência sensorial. Para o setor, é vitrine, relacionamento e geração de negócios. Para o turismo, é um ativo capaz de conectar Belo Horizonte ao imaginário nacional da bebida.

A edição de 2026 acontece simultaneamente à 19ª Brasil Bier e à 4ª Minas + Doce, ampliando a conexão entre cachaça, cervejas especiais, doçaria, gastronomia, economia criativa e entretenimento. A Minas + Doce terá cerca de 30 estandes dedicados à doçaria e uma Cozinha Viva com aulas-show, o que reforça o potencial de harmonização entre cachaças de alambique, doces artesanais e cozinha mineira.

Para José Lúcio Mendes, idealizador da Expocachaça, a feira cumpre um papel de educação do consumidor. “A feira nasceu para abrir mercado, educar o consumidor, aproximar produtores e fortalecer a reputação da cachaça. Ao longo dos anos, vimos a bebida deixar para trás preconceitos históricos e conquistar espaço como destilado brasileiro de qualidade, com diversidade, técnica e identidade”, afirma.

A frase resume o principal deslocamento do setor. A cachaça de alambique não depende apenas de volume para ganhar relevância. Seu valor está na capacidade de contar histórias verificáveis sobre origem, processo, território e qualidade. Quando essa narrativa é vivida presencialmente — no alambique, na fazenda, na degustação ou em uma feira como a Expocachaça — a bebida deixa de ser apenas produto e se transforma em experiência cultural.

Para Belo Horizonte, o evento reforça uma vocação adicional: ser a tradicional capital de encontro da cachaça brasileira desde 1998. Durante três dias, a cidade recebe produtores de diferentes regiões, turistas, compradores, especialistas, chefs, bartenders, empreendedores e consumidores interessados em compreender por que a bebida símbolo do Brasil passou a disputar espaço em cartas de coquetéis, roteiros gastronômicos e experiências de viagem.

Mais do que uma tendência de consumo, o turismo da cachaça de alambique revela como um produto rural, artesanal e historicamente brasileiro pode gerar renda, reputação territorial, educação do paladar, orgulho regional e novas formas de circulação turística. Do canavial ao copo, o que está em jogo é a possibilidade de ler o Brasil por uma bebida que carrega técnica, memória, paisagem e sabor.

Serviço ao visitante | Como ir e onde ficar para a Expocachaça 2026

A 35ª Expocachaça acontece de 6 a 8 de agosto de 2026, no CenterMinas Expo, em Belo Horizonte. O evento será realizado nos pavilhões Atrium e Ouro Preto, no 4º andar do complexo, localizado na Av. Pastor Anselmo Silvestre, 1495, bairro União, atrás do Minas Shopping e próximo à Av. Cristiano Machado. O local conta com estação de metrô no entorno, estacionamento com 2.300 vagas, ponto de táxi na porta e ponto especial para aplicativos de transporte.

Para quem vem de fora de Belo Horizonte, a principal porta de entrada aérea é o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins. O terminal é atendido por companhias como Azul, Gol, Latam, Copa e TAP, segundo informações do BH Airport. O aeroporto fica em Confins, na Região Metropolitana, e o deslocamento até Belo Horizonte pode ser feito por carro, táxi, aplicativos de transporte ou ônibus executivo.

Uma das opções de transporte entre Confins e Belo Horizonte é o Conexão Aeroporto, que opera linhas executivas e convencionais entre o aeroporto, a Rodoviária de Belo Horizonte e o Terminal Álvares Cabral. A empresa informa que a linha executiva faz conexão direta com o aeroporto, enquanto a linha semi-expressa possui paradas específicas no percurso. O BH Airport também indica o balcão da Conexão Aeroporto dentro do terminal para consulta de rotas e horários.

Para quem viaja de ônibus, Belo Horizonte é atendida pelo Terminal Rodoviário Governador Israel Pinheiro, localizado na região central da capital. Plataformas de venda e informação rodoviária listam viações como Cometa, Gontijo, Pássaro Verde e Útil entre as empresas que operam rotas com chegada e saída da capital mineira. A ClickBus informa que Cometa e Útil oferecem rotas a partir da Rodoviária de Belo Horizonte para cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Santos, Juiz de Fora e Campinas. Já a Viação Cometa afirma operar rotas ligando cidades do Sudeste e do Sul a Belo Horizonte.

Onde se hospedar

Para quem prioriza acesso rápido ao CenterMinas Expo, a região mais prática costuma ser o eixo da Av. Cristiano Machado, especialmente nas áreas próximas ao Minas Shopping, Minascasa, bairro União, Ipiranga e Palmares. Essa localização reduz deslocamentos até o evento e tende a ser mais funcional do que regiões turísticas tradicionais como Savassi e Lourdes, que oferecem boa estrutura de bares, restaurantes e hotéis, mas ficam mais distantes do CenterMinas.

Entre as opções mais próximas estão o Ouro Minas Hotel Belo Horizonte, Dolce by Wyndham, localizado na Av. Cristiano Machado, 4001, no bairro Ipiranga. O hotel é uma alternativa indicada para quem busca mais conforto e estrutura de hospedagem. Outra opção próxima é o eSuites Belo Horizonte Minascasa, na Av. Cristiano Machado, 3435, também no Ipiranga, apontado pelo Portal Oficial de Belo Horizonte como hotel próximo à Linha Verde, que liga a capital ao Aeroporto Internacional de Confins.

Para quem procura hospedagem mais econômica na mesma região, o Stop Inn Cristiano Machado aparece como alternativa prática, localizado na Rua Coronel Jairo Pereira, 420. O Hotel Gran Vivenzo também costuma aparecer em listas de hospedagem próximas ao eixo da Cristiano Machado e pode ser considerado por quem busca custo-benefício. Para grupos, famílias ou visitantes que desejam mais autonomia, apartamentos de temporada próximos ao CenterMinas, Minas Shopping e Av. Cristiano Machado também podem ser avaliados.

35ª Expocachaça, 19ª Brasil Bier e 4ª Minas + Doce
Data: 6 a 8 de agosto de 2026
Horário: das 12h às 00h
Local: CenterMinas Expo — Av. Pastor Anselmo Silvestre, 1495, União, Belo Horizonte, MG
Ingressos: disponíveis pelo site oficial da Expocachaça e pela Sympla. Nos dias do evento, também haverá venda na bilheteria do CenterMinas Expo.
Ingressos: Sympla → Link 
Site: www.expocachaca.com.br
Instagram:@expocachaca

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