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Festival de Parintins projeta receber 126 mil turistas

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No coração da floresta amazônica, cercada pelo rio Amazonas e a 369 quilômetros de Manaus, Parintins se prepara para receber uma das manifestações culturais mais potentes do país. Nos dias 26, 27 e 28 de junho de 2026, o Bumbódromo será palco da 59ª edição do Festival de Parintins, encontro que coloca frente a frente os bois Caprichoso e Garantido em três noites de música, teatro, dança, artes plásticas, saberes ancestrais e narrativas que nascem da própria Amazônia.

A grandiosidade da festa também se traduz em números. Em 2025, o festival atraiu cerca de 120 mil visitantes e movimentou aproximadamente R$ 184 milhões na economia local. Para 2026, a expectativa é de crescimento de 5%, com projeção de 126 mil turistas, impacto econômico de R$ 193,2 milhões e geração de mais de 30 mil empregos diretos e indiretos em áreas como turismo, cultura, comércio e serviços.

Mais do que uma festa popular, o Festival de Parintins afirma a força criativa de um território. Em cena, mitos, lendas, referências indígenas, africanas e europeias se encontram com as histórias de povos ribeirinhos, indígenas e caboclos, que assumem o protagonismo de suas próprias narrativas por meio das toadas, alegorias, coreografias e personagens que movimentam a arena.

Reconhecido como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2018, o Complexo Cultural do Boi Bumbá do Médio Amazonas e Parintins representa a memória coletiva, a identidade e a força criativa dos povos da região. Esse reconhecimento ajuda a dimensionar a relevância de uma tradição que ultrapassa a arena e se conecta à formação cultural brasileira.

A cada edição, o festival reafirma sua singularidade ao unir criação artística, pertencimento e representatividade. O resultado é uma celebração que projeta a cultura amazônica para o Brasil, sem perder a profundidade de suas raízes locais.

Para Fred Góes, presidente do Boi Garantido, Parintins representa a cultura brasileira em sua essência. “Quando observamos os folguedos do Brasil, percebemos que todos carregam essa característica fundamental, que é a mistura de culturas. Na Amazônia, essa diversidade se torna ainda mais evidente. Somos uma região que historicamente viveu certo isolamento, o que fortaleceu uma identidade própria, construída a partir de múltiplas influências. O Festival de Parintins cumpre um papel fundamental ao tirar a Amazônia da invisibilidade cultural e projetar nossa identidade para todo o Brasil”, afirma.

Segundo ele, o boi-bumbá incorpora influências de diferentes regiões e povos, mas ressignifica tudo a partir da realidade amazônica. “O resultado é um espetáculo que dialoga com o Brasil inteiro, sem perder suas raízes. Passamos meses debatendo, construindo narrativas e buscando formas de traduzir, na arena, temas que falem da nossa história, da cultura amazônica e também de questões universais”, completa.

Do lado do Caprichoso, Ericky Nakanome, presidente do Conselho de Artes, vê o festival como um reflexo potente da brasilidade construída a partir do Norte. Para ele, não se trata de sintetizar todo o Brasil, mas de revelar, pela arte, uma identidade amazônica viva, plural e em constante transformação.

“Ao observar o festival, percebo que muitos dos elementos que formam o Brasil estão presentes, especialmente as matrizes indígenas, africanas e europeias, expressas nos itens, nas temáticas e nas toadas. Ainda assim, o festival traduz, acima de tudo, a identidade do povo do Norte”, analisa.

Essa fusão de referências aparece na estética do boi-bumbá, nas narrativas apresentadas na arena e na própria história de Parintins. A cidade, marcada pela circulação entre Belém e Manaus e por ciclos migratórios como o da borracha, tornou-se um território de encontro entre povos, símbolos e expressões artísticas.

Para Fred Góes, essa herança é o que faz de Parintins um farol cultural. “O Festival é mais do que um espetáculo. É um espaço de reflexão, identidade e valorização da nossa cultura. É a prova de que, por meio da arte, conseguimos contar quem somos e como queremos seguir enquanto sociedade”, finaliza.

Na leitura de Nakanome, o Festival de Parintins funciona como um grande eco cultural. “Ele não sintetiza todo o Brasil, mas reverbera uma brasilidade construída a partir da Amazônia, viva, diversa e em constante transformação”, conclui.

créd.fotos- vicente negrão

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