Nos últimos dias, um episódio envolvendo o ator Henri Castelli, participante do BBB26, repercutiu amplamente nas redes sociais após ele sofrer duas crises convulsivas durante o reality. A situação gerou dúvidas e discussões sobre quais cuidados são corretos nesse momento, o que pode (e o que não pode) ser feito e quando a crise representa uma urgência médica.
Embora muitas pessoas ajam por impulso tentando “ajudar”, especialistas reforçam que algumas atitudes comuns podem ser perigosas e aumentar o risco de lesões. Para orientar o público de forma clara e responsável, o Dr. Pedro Henrique de Souza Duarte, médico na SegMedic – rede de clínicas ambulatoriais do Rio de Janeiro-, explica quais são os primeiros socorros adequados em uma crise convulsiva, quais sinais merecem atenção e quando é necessário acionar atendimento de emergência.
Como identificar uma crise convulsiva e quais os sinais mais comuns
De acordo com o médico, os sinais podem variar, mas existem manifestações frequentes que ajudam a reconhecer uma crise convulsiva. Entre elas estão: perda súbita da consciência, queda ao chão, movimentos involuntários e rítmicos do corpo (braços e pernas), rigidez muscular inicial seguida de abalos, além de salivação excessiva ou espuma na boca. Também podem ocorrer respiração irregular, olhar fixo ou revirado e, após a crise, um período de desorientação mental, sonolência, dor de cabeça e cansaço intenso.
O Dr. Pedro ressalta que nem toda convulsão apresenta todos esses sinais, algumas podem ser mais discretas, o que reforça a importância de observar e agir com segurança.
Primeiros socorros: o que fazer imediatamente?
Segundo o médico, a conduta correta durante uma crise convulsiva deve priorizar a proteção contra quedas e traumas, além de manter as vias aéreas seguras.
- Mantenha a calma e observe a duração: o primeiro passo é manter a calma e cronometrar mentalmente (ou pedir para alguém marcar) quanto tempo dura a crise. A maioria dura entre 1 e 3 minutos.
- Proteja a pessoa de lesões: afaste objetos que possam machucar, como móveis, quinas e itens pontiagudos. Se possível, coloque algo macio sob a cabeça, como um travesseiro, casaco dobrado ou toalha.
- Coloque a pessoa de lado (posição lateral de segurança): o médico orienta virar delicadamente a cabeça ou o corpo para o lado, pois isso ajuda a evitar que saliva, vômito ou sangue obstruam as vias aéreas. Se não for possível virar o corpo, ao menos mantenha a cabeça levemente inclinada, sem forçar.
- Afrouxe roupas apertadas: desaperte itens que possam dificultar a respiração, como gravatas, cintos, botões do colarinho e peças apertadas.
- Não contenha os movimentos: a crise deve seguir seu curso natural. Tentar segurar a pessoa pode causar lesões e fraturas.
- Fique ao lado até a recuperação: após a crise, é comum a pessoa ficar confusa e cansada. O ideal é falar com calma, explicar o que aconteceu e oferecer apoio. O médico reforça que não se deve oferecer água ou alimentos até que a pessoa esteja completamente consciente e alerta.
O que NÃO fazer em hipótese alguma
Algumas atitudes muito comuns podem ser perigosas e devem ser evitadas. O Dr. Pedro Henrique destaca que não se deve:
- Segurar a pessoa ou tentar conter os movimentos;
- Colocar a mão, objetos ou pano na boca;
- Tentar “puxar a língua”;
- Oferecer água, alimentos ou qualquer substância durante ou logo após a crise;
- Realizar respiração boca a boca durante a convulsão.
Essas ações podem provocar lesões, engasgos e fraturas, agravando a situação.
Principais causas de convulsão e quando é sinal de alerta
Uma crise convulsiva pode estar associada a diferentes fatores. Entre as principais causas, o médico aponta: epilepsia, febre alta (especialmente em crianças), traumatismo craniano, alterações metabólicas (como glicose ou eletrólitos fora do normal), infecções que afetam o sistema nervoso, além de privação extrema de sono, estresse intenso ou consumo excessivo de substâncias.
O quadro é considerado um sinal de alerta principalmente quando:
- É a primeira convulsão da vida;
- As crises começam a se repetir;
- Existe perda de consciência prolongada;
- A convulsão ocorre após pancada na cabeça.
A repercussão do caso no BBB26 reforçou um ponto essencial: em situações de emergência, conhecimento básico de primeiros socorros faz diferença para evitar quedas, traumas e complicações até a chegada de ajuda profissional.
Mais do que apontar reações de terceiros, o episódio serve como um lembrete coletivo de que agir corretamente pode ser determinante e que, em uma crise convulsiva, o mais importante é proteger, observar e buscar ajuda quando necessário.

